Pela enésima vez, um pastor tenta confundir a audiência tentando demonstrar que nós, católicos, somos idólatras – a calúnia repetida incessantemente na esperança de que se torne verdade. Já expliquei, desenhei e expliquei o desenho. Agora, resta desenhar a explicação. Vamos lá! A questão essencialmente tem dois aspectos:
Os protestantes não nos podem acusar de idólatras porque eles confessam, conosco, a fé na Santíssima Trindade, Deus Uno e Trino, sem confusão de pessoas na unidade da mesma substância;
Portanto, o que está em discussão não são os atos internos, mas justamente os atos externos. Em outras palavras, o que nós, católicos, fazemos, pode ser considerado como ato religioso de idolatria?
O Pastor confunde toda hora esses dois aspectos da questão, propositalmente (espero, pois, se não o fosse, seria uma confissão de incapacidade cognitiva), ao modo dos encantadores de serpente, com a finalidade de desorientar os ouvintes.
Ele começa tentando enfrentar o argumento central, e diz que nós, católicos, afirmamos que a adoração acontece somente nos sacrifícios a Deus, e que, no Novo Testamento, esse sacrifício seria a Eucaristia. – Falácia do espantalho: nós não afirmamos que o sacrifício esgota a ideia de adoração, mas que o ato sacrifical é o ato supremo da adoração; o qual foi perdido pelos protestantes, que não são mais uma religião sacrifical, mas uma religião moderna, de pregação, louvores e cânticos, e daí advém a sua dificuldade de entender que nós não prestamos adoração aos santos quanto nós cantamos ou rezamos.
Logo, partindo dessa falácia, ele afirma: "o objetivo desse vídeo é mostrar que não há biblicamente diferença entre latria [adoração] e dulia [veneração]". – Porém, como veremos, ele não apenas não o consegue, mas demonstra o contrário e, por fim, finge não tê-lo feito.
Nas religiões antigas, dulia indicava um serviço devoto. Basta olhar para o candomblé, que é uma religião análoga às dos povos antigos do Crescente fértil: serve-se um orixá (divindade) inserido numa casa de candomblé (templo), guiado por pai ou mãe de santo (sacerdotes), cuidando do assentamento (altar), oferecendo as comidas e obrigações próprias daquele orixá (sacrifícios, comunhão e dieta religiosa), participando dos rituais de dança, canto e incorporação (liturgia e mística), e vivendo no dia a dia de acordo com as regras, tabus e valores que aquele orixá inspira (moral). Não é uma prática solta, é uma relação de fidelidade dentro de uma tradição.
Servir a Mamon, hermeneuticamente, corresponde ao modo de viver, por exemplo, do homem contemporâneo, que serve a uma empresa (templo), guiado por um sacerdote (CEO), cuidando de um altar (trabalho), executando os serviços (sacrifícios), participando dos lucros (comunhão) e ideais da empresa (liturgia e mística), e vivendo de acordo com o seu ofício (moral). ISSO É UMA METÁFORA, não uma linguagem literal. E esta só é possível porque o campo semântico de dulia é mais amplo que o de latria (ou seja, toda latria inclui dulia, mas nem toda dulia está inclusa na latria).
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