Decifrando temas por vezes complexos. Temas teológicos, bíblicos e morais. Uma visão Católica e Apostólica!
terça-feira, 15 de setembro de 2020
quinta-feira, 3 de setembro de 2020
Introdução ao Livro do Deuteronômio
Setembro de 2020 meditamos o livro do deuteronômio!
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sexta-feira, 15 de março de 2019
"Com o diabo não se dialoga, não se deve dialogar"
Queridos
irmãos e irmãs,
O Evangelho de Lucas 4, 1-13 narra a
experiência das tentações de Jesus no deserto. Depois de ter jejuado por
quarenta dias, Jesus é tentado três vezes pelo diabo, o qual primeiro o convida
a transformar uma pedra em pão (v. 3); em seguida mostra-lhe do alto os reinos
da terra, sugerindo-lhe que pode tornar-se um messias poderoso e glorioso (vv.
5-6); e por fim o conduz ao ponto mais alto do templo de Jerusalém e o exorta a
lançar-se, para manifestar de maneira espetacular o seu poder divino (vv.
9-11). As três tentações indicam três caminhos que o mundo sempre propõe,
prometendo grandes sucessos, três sendas (atalhos) para nos enganar: a avidez
da posse — ter, ter e ter — a glória humana, e a
instrumentalização de Deus. São três caminhos que nos levarão à ruína.
O primeiro, a avidez da posse. É sempre
esta a lógica insidiosa do diabo. Ele começa pela natural e legítima
necessidade de se nutrir, de viver, de se realizar, de ser feliz, para nos
impelir a acreditar que tudo isto é possível sem Deus, aliás, até contra Ele.
Mas Jesus opõe-se, dizendo: «Está escrito: “Nem só de pão vive o homem”» (v.
4). Recordando o longo caminho do povo eleito através do deserto, Jesus afirma
que deseja abandonar-se com plena confiança à providência do Pai, que cuida
sempre dos seus filhos.
A segunda tentação: o caminho
da glória humana. O
diabo diz: «Se te prostrares diante de mim, tudo será teu» (v. 7). Podemos
perder qualquer dignidade pessoal, deixamo-nos corromper pelos ídolos do
dinheiro, do sucesso e do poder, contanto que alcancemos a nossa autoafirmação.
E saboreamos a emoção de uma alegria vazia que esvaece imediatamente. E isto
leva-nos até a comportarmo-nos como “pavões”, a vaidade, mas tudo isto acaba.
Por isso Jesus responde: «Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás
culto» (v. 8).
E a terceira tentação: instrumentalizar
Deus em próprio benefício. Ao diabo que, citando as Escrituras, o
convida a pedir a Deus um milagre extraordinário, Jesus opõe de novo a firme
decisão de permanecer humilde e confiante diante do Pai: «Não tentarás ao
Senhor, teu Deus» (v. 12). E assim rejeita a tentação talvez mais subtil: de
querer “puxar Deus para o nosso lado”, pedindo-lhe graças que na realidade
servem e servirão para satisfazer o nosso orgulho.
Estes são os
caminhos que se apresentam diante de nós, com a ilusão de poder obter o sucesso
e a felicidade. Mas, na realidade, eles são totalmente alheios ao modo de agir
de Deus: aliás, de fato, separam-nos de Deus porque são obra de Satanás. Jesus,
enfrentando estas provações, vence três vezes a tentação para aderir plenamente
ao projeto do Pai. E indica-nos os
remédios: a vida interior, a fé em Deus, a certeza do seu amor e de que Deus
nos ama, que é Pai, e com esta certeza venceremos qualquer tentação.
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| Cena da Série da Netflix "Lúcifer" |
Por
consequente, aproveitemos a Quaresma, como um tempo privilegiado para nos
purificar, para experimentar a presença consoladora de Deus na nossa vida.
A materna
intercessão da Virgem Maria, ícone de fidelidade a Deus, nos ampare no nosso
caminho, ajudando-nos a rejeitar sempre o mal e a acolher o bem.
PAPA FRANCISCO
ANGELUS, Praça São Pedro
I Domingo da Quaresma, 10 de março de 2019
I Domingo da Quaresma, 10 de março de 2019
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
As Bem-Aventuranças - Mateus 5,1-10
“Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu”
Ser pobre no
coração: ISTO É SANTIDADE.
“Felizes os mansos, porque possuirão a terra”
Reagir com
humilde mansidão: ISTO É SANTIDADE.
“Felizes os que choram, porque serão consolados”
Saber chorar
com os outros: ISTO É SANTIDADE.
“Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”
Buscar a
justiça com fome e sede: ISTO É SANTIDADE.
“Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”
Olhar e agir
com misericórdia: ISTO É SANTIDADE.
“Felizes os puros de coração, porque verão a Deus”
Manter o
coração limpo de tudo o que mancha o amor: ISTO É SANTIDADE.
“Felizes
os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”
Semear a paz
ao nosso redor: ISTO É SANTIDADE.
“Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é
o Reino do Céu”
Abraçar
diariamente o caminho do Evangelho mesmo que nos acarrete problemas: ISTO É SANTIDADE.
(Extraído da Exortação Apostólica "Gaudete et exsultate")
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
"A pena de morte é inadmissível", diz papa Francisco
Olá meus irmãos e irmãs, segue a nova redação do número 2267 do Catecismo da Igreja Católica que trata da pena de morte:
2267. Durante muito tempo, considerou-se o recurso à pena de morte por parte da autoridade legítima, depois de um processo regular, como uma resposta adequada à gravidade de alguns delitos e um meio aceitável, ainda que extremo, para a tutela do bem comum.
Hoje vai-se tornando cada vez mais viva a consciência de que a dignidade da pessoa não se perde, mesmo depois de ter cometido crimes gravíssimos. Além disso, difundiu-se uma nova compreensão do sentido das sanções penais por parte do Estado. Por fim, foram desenvolvidos sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a indispensável defesa dos cidadãos sem, ao mesmo tempo, tirar definitivamente ao réu a possibilidade de se redimir.
Por isso a Igreja ensina, à luz do Evangelho, que «a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa»[1], e empenha-se com determinação a favor da sua abolição em todo o mundo.
________________________
[1] Francisco, Discurso aos participantes no encontro promovido pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, 11 de outubro de 2017: L’Osservatore Romano, 13 de outubro de 2017, 5 (ed. port. 19 de outubro de 2017, 13).
terça-feira, 31 de julho de 2018
Há diferença entre a Fé Judaica e a Fé Cristã?
A Fé é
o ponto inicial de todo e qualquer itinerário (percurso) religioso. Fé é a
total confiança em Deus. Para entendermos melhor o nosso caminhar, o nosso
itinerário, é preciso que tenhamos claro em quem confiamos. Saber onde depositamos
nossa confiança, é sinal de que caminharemos mais firmemente seguros.
Existe
uma diferença entre “Fé Judaica” e “Fé Cristã”. Você saberia dizer onde está
essa diferença? Em que a Fé Judaica confia e em que a Fé Cristã confia? É isso
que vamos descobrir juntos, venha comigo!
A Fé
Judaica tem seu fundamento em “acontecimentos de salvação”. Ela confia em Deus
devido aos acontecimentos relatados no Primeiro Testamento bíblico. Por exemplo:
o Chamado de Abraão; a saída do Egito; a passagem do Mar Vermelho; a conquista da Terra Prometida; entre outros. Pois a religião judaica confia em Deus por ter se revelado poderoso e ao lado do seu povo nesses acontecimentos cruciais e essa confiança é passada de geração em geração. Assim, até hoje a Fé Judaica espera a vinda do Messias.
A Fé
Cristã tem seu fundamento em uma Pessoa: Jesus Cristo, o Messias esperado no
Primeiro Testamento bíblico. Nós cristãos não confiamos apenas em
acontecimentos, em ideias, em doutrinas e em leis, mas temos a Pessoa de Jesus
Cristo, o Emanuel, que é Deus Conosco. Essa fé na Pessoa de Jesus torna-se
Trinitária, pois confiamos que a Salvação vem de Deus Pai, a revelação dessa
Salvação vem de Deus Filho e a santificação vem do Espírito Santo. Os sinais de
salvação ficam evidenciados no amor, na justiça, na solidariedade, na partilha,
no perdão, na união...
Fazer
com que a luz brilhe nas trevas, isso é salvação.
“A
graça esteja com todos vós. Amém” (Hebreus 13,25)
Pedro
Debarba
terça-feira, 15 de maio de 2018
Como se transmite a fé
Paz e Bem!
Nas grandes cidades as
empregadas domésticas estrangeiras são cada vez mais frequentemente segundas
mães e, com a concretude do amor e do testemunho, transmitem a fé às crianças.
E talvez os pais, ocupados com numerosos compromissos de trabalho, tenham que
redescobrir a beleza do seu papel na transmissão da fé aos seus filhos, sem
esperar o catecismo na paróquia ou alguma esporádica participação na missa.
O Papa convidou de novo a ser
testemunhas do Evangelho para suscitar a curiosidade em quantos não creem, e
assim começar a obra do Espírito Santo, dirigindo um pensamento e uma oração
especiais por todos os pais. E a sugestão a não transmitir a fé fazendo proselitismo
nem procurando apoio como para uma seleção de futebol.
“No trecho da carta de São Paulo
aos Coríntios fala-se da transmissão da fé”, observou Francisco referindo-se à
primeira leitura (15, 1-8), repetindo as palavras escritas pelo apóstolo: “Eu
transmiti a vós antes de tudo o que também recebi”. E é precisamente assim,
explicou o Papa, que “se deve transmitir a fé: ofereço o que recebi, e Paulo
recita o que recebeu”. Mas “a fé não é só a recitação do Credo: a fé exprime-se
no Credo, mas é algo mais”. Pois se “tudo aquilo em que cremos está no Credo, a
atitude de fé vai além, é outra coisa, maior”.
De resto, insistiu o Pontífice, “transmitir
a fé não significa dar informações, mas fundar um coração na fé em Jesus Cristo”.
Por isso, “transmitir a fé não se pode fazer mecanicamente”, dizendo: “Toma
este livrete, estuda-o e depois eu batizo-te”. “Não”, insistiu, “é outro o
caminho para transmitir a fé: é comunicar o que nós recebemos”.
É precisamente “este o desafio
do cristão: ser fecundo na transmissão da fé”, afirmou. Mas é “também o desafio
da Igreja: ser mãe fecunda, dar à luz filhos na fé”, acrescentou, explicando
que “este não é um exagero: é o que dizemos na cerimônia do Batismo”. Portanto,
eis “a Igreja que dá à luz, que é mãe”. E nesta perspectiva Francisco sugeriu “duas
pistas da transmissão da fé”.
“A Igreja é mãe se transmite a
fé no amor, sempre com ar de amor”, disse o Papa, recordando que “não se pode
transmitir a fé sem esta característica materna”. A ponto que “alguém escreveu
elegantemente” que “a fé não é concedida, mas dada à luz”. E é “a Igreja que dá
à luz a fé dentro de nós: ou seja, a transmissão da fé caracteriza-se sempre
com o amor da mãe Igreja, dá-se em casa”.
O próprio São Paulo, prosseguiu
o Papa, “lembra a Timóteo, num bonito trecho: ‘Recordo a fé da tua mãe e da tua
avó’”. Portanto, explicou Francisco, “é a fé que deve ser transmitida de
geração em geração, como um dom”. Mas sempre “no amor, no amor da família: é
ali que se transmite a fé, não só com palavras, mas com amor, carícias e
ternura”.
A este propósito, o Pontífice
voltou a propor também o episódio narrado no livro dos Macabeus, “quando aquela
mulher encorajava os sete filhos face ao martírio: no texto diz-se que por duas
vezes aquela mulher falou aos filhos na língua materna, dava-lhes força na fé,
mas na língua materna”. Pois “a verdadeira fé se transmite sempre em dialeto: o
dialeto do amor, da família, da casa, aquele que se capta no ar”. E “talvez a
língua seja a mesma, mas ali há algo de dialeto, e ali a fé transmite-se maternalmente”.
Em síntese, explicou o Papa, se
a “primeira atitude para a transmissão da fé é o amor, outra atitude é o testemunho”.
Na realidade, afirmou, “transmitir a fé não significa fazer proselitismo: é
outra coisa, é maior ainda”. Sem dúvida, prosseguiu, “não significa procurar
pessoas que ajudem esta seleção de futebol, este clube, este centro cultural:
isto está bem, mas para a fé não serve o proselitismo”. E Bento XVI disse: “A
Igreja cresce não por proselitismo mas por atração”. Com efeito, afirmou
Francisco, “a fé transmite-se por atração, ou seja, por testemunho”. E,
acrescentou, “hoje celebramos a festa de dois apóstolos, Filipe e Tiago, que
deram a vida, transmitiram a fé mediante o testemunho”. Portanto, devemos
testemunhar a fé.
A este propósito, o Papa quis
compartilhar uma sua recordação pessoal: “Certa vez numa das jornadas da
juventude, acho que foi em Cracóvia, num almoço com os jovens, um deles
perguntou-me: ‘Tenho um amigo que é ateu, mas é muito bom e eu gosto dele. O
que devo dizer-lhe para que se converta?’”. Eis a resposta franca do Papa: “É
melhor que nada lhe digas, age. E que ele se questione: por que este homem se
comporta assim? Por que este homem faz assim, quando é normal fazer o
contrário? Dá testemunho!”.
É um fato, explicou o Pontífice,
que “o testemunho provoca a curiosidade no coração do outro, e o Espírito Santo
pega nessa curiosidade” e começa a trabalhar “dentro”. Assim, “a Igreja crê por
atração, cresce por atração, e a transmissão da fé verifica-se com o testemunho,
até ao martírio”. Precisamente “quando se vê esta coerência de vida com o que
nós dizemos, surge sempre a curiosidade: ‘Mas por que ele vive assim? Por que
leva uma vida de serviço ao próximo?’”. E ”essa curiosidade é a semente que o
Espírito Santo pega e leva em frente; e a transmissão da fé torna-nos justos,
justifica-nos”.
Portanto, afirmou o Papa, “a fé
justifica-nos, e na sua transmissão nós fazemos verdadeira justiça aos outros”.
No fundo, “é simples” o que Paulo escreve aos Coríntios: “Eu transmiti a vós
antes de tudo o que também recebi”. As palavras do apóstolo são claras: “Eu
transmiti o que recebi”. Recordam “a transmissão da fé no amor, em casa”. Mas,
relevou Francisco, “muitas vezes em casa ouvimos dizer: ‘Quando frequentar o
catecismo aprenderá’”. E “muitas vezes são as empregadas domésticas, mulheres
de fé, que transmitem a fé às crianças: até as empregadas domésticas
estrangeiras”. Talvez os “pais trabalhem; talvez vão à missa uma, duas, três,
quatro vezes por ano, talvez vão à missa de vez em quando, são católicos, mas
não sabem transmitir a fé; são as empregadas domésticas que a transmitem”.
E este, afirmou o Pontífice, “é
um fato que se vê todos os dias nas grandes cidades e até aqui na Itália”. A fé
transmite-se “com o amor e a empregada doméstica é aquela que acaricia, que
cuida, que faz crescer e que ajuda a mãe, é como uma segunda mãe”. E “isto
significa transmitir a fé no amor, no testemunho”, porque não se trata de “transmitir
uma filosofia”, mas de “transmitir algo que te justifica, que te torna justo
aos olhos de Deus”.
Por fim, o Papa convidou a pedir
“ao Senhor por tantos pais para que saibam cuidar disto, pois transmitir a fé é
algo grandioso, muito bonito”. E pedir “por tantos cristãos a fim de que o
Senhor lhes conceda a todos a força de dar testemunho e, com o testemunho,
semear curiosidade; e o Espírito Santo pega naquela curiosidade e abre o
coração para receber a fé”.
PAPA
FRANCISCO, MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA NA CAPELA DA CASA
SANTA MARTA, Como se transmite a fé, Quinta-feira,
3 de maio de 2018.
Publicado
no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 19 de 10 de maio de 2018
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
As “Fake News” aumentam a arrogância e o ódio, afirma Papa Francisco
Paz e Bem!
Na mensagem do Papa Francisco do dia 24 de janeiro,
ele fala sobre Fake News ou Notícias Falsas.
“Senhor, fazei de nós
instrumentos da vossa paz.
Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não
cria comunhão.
Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos.
Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs.
Vós sois fiel e digno de confiança;
fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:
onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta;
onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia;
onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza;
onde houver exclusão, fazei que levemos partilha;
onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade;
onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos
verdadeiros;
onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança;
onde houver agressividade, fazei que levemos respeito;
onde houver falsidade, fazei que levemos verdade.
Amém”.
O Papa inicia lembrando que a
comunicação humana deve ser essencial para viver a comunhão e que esse tema das
notícias falsas relaciona-se com o tema sobre a verdade.
“A expressão fake
news diz respeito à desinformação transmitida on-line ou
nos mass-media tradicionais” que tendem “a enganar e até
manipular o destinatário”. Quem
cria ou distribui essas notícias falsas são exploradores de emoções, e,
suscitam “a ansiedade, o desprezo, a ira e a frustração” no
destinatário. “Deste modo, as notícias falsas revelam a presença de
atitudes simultaneamente intolerantes e hipersensíveis, cujo único resultado é
o risco de se dilatar a arrogância e o ódio. É a isto que leva, em última
análise, a falsidade”.
Uma atitude que
o Papa nos pede é a de “não ser divulgadores inconscientes de
desinformação” e que
devemos “desmascarar uma lógica, que se poderia definir como a ‘lógica da
serpente’, capaz de se camuflar e morder em qualquer lugar”. “Nenhuma
desinformação é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso
produz consequências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente
leve pode ter efeitos perigosos”.
“O
antídoto mais radical ao vírus da falsidade é deixar-se purificar pela verdade.
(...) A verdade é aquilo sobre o qual nos podemos apoiar para não cair. Neste
sentido relacional, o único verdadeiramente fiável e digno de confiança sobre o
qual se pode contar, ou seja, o único ‘verdadeiro’ é o Deus vivo. Eis a
afirmação de Jesus: ‘Eu sou a verdade’ (Jo 14, 6). Sendo assim, o
homem descobre sempre mais a verdade, quando a experimenta em si mesmo como
fidelidade e fiabilidade de quem o ama. Só isto liberta o homem: ‘A verdade vos
tornará livres’(Jo 8, 32)”.
Dois ingredientes que não
podem faltar em nossas ações: Libertação da falsidade e busca de
relacionamento. “De fato, uma argumentação impecável pode basear-se em
fatos inegáveis, mas, se for usada para ferir o outro e desacreditá-lo à vista
alheia, por mais justa que apareça, não é habitada pela verdade. A partir dos
frutos, podemos distinguir a verdade dos vários enunciados: se suscitam
polêmica, fomentam divisões, infundem resignação ou se, em vez disso, levam a
uma reflexão consciente e madura, ao diálogo construtivo, a uma profícua
atividade”.
“O melhor antídoto contra as
falsidades são as pessoas: Pessoas
que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através da fadiga dum diálogo
sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram
responsáveis no uso da linguagem”.
O Papa termina com uma
oração inspirada numa oração franciscana:
Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não
cria comunhão.
Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos.
Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs.
Vós sois fiel e digno de confiança;
fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:
onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta;
onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia;
onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza;
onde houver exclusão, fazei que levemos partilha;
onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade;
onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos
verdadeiros;
onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança;
onde houver agressividade, fazei que levemos respeito;
onde houver falsidade, fazei que levemos verdade.
Amém”.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Os Discípulos de Emaús
Paz e Bem meus irmão e minhas irmãs!
Texto Bíblico: Lucas 24,13-35
Qual o ensinamento que podemos extrair desse brilhante texto?
Primeiramente, o texto faz referência ao modo de como eram celebradas as
reuniões dos primeiros cristãos. Essas reuniões ou celebrações eram divididas
em duas grandes partes: a primeira era a escuta da Palavra e a segunda era a
partilha do pão. Esse modelo está presente na Liturgia Eucarística que hoje
celebramos.
No texto, percebemos que os discípulos estão afastando-se de Jerusalém,
ou seja, afastando-se da origem, afastando-se dos apóstolos, afastando-se da
Tradição Apostólica deixada por Jesus. Aproximando-se deles, Jesus entra na
conversa e quer saber o porquê de tanta tristeza. Assim, Jesus nos ensina que
devemos escutar e caminhar junto com aqueles que andam tristes pelos caminhos
da vida, antes de proferir alguma palavra ou de dar nossos conselhos. Em
seguida, Jesus explica a eles através dos profetas que esses fatos já estavam
mencionados nas escrituras. O coração deles era ardia em fogo ao escutar essas palavras tão
esclarecedoras. Jesus nunca nos obriga a algo que não queremos, pois mesmo
depois de tudo isso, Ele insinua que irá mais adiante, deixando, dessa forma,
os dois discípulos livres para acolher ou não essas palavras. Nós também não
podemos forçar que uma pessoa aceite aquilo que ensinamos, mas apenas fazer
como o semeador que joga a semente no solo e deixa que ela mesma germine.
Os discípulos, mais que depressa, oram a Jesus de forma brilhante: “Fica
conosco, já é tarde e a noite se aproxima”. Os dois sentiram que junto àquele
homem haveria luz e não trevas e que era bom ficar na presença dele, mesmo eles
não sabendo que era ele. Uma cordialidade é convidar para a mesa, e foi isso
que os dois fizeram. Jesus tomando o pão em suas mãos faz os mesmos gestos da
última Ceia, abençoa e parte. Provavelmente esses dois discípulos não estavam
na Ceia com os apóstolos, mas ouviram dos apóstolos como tinha sido esse
momento tão especial com o mestre. Então, seus olhos se abrem e O reconhecem.
Eis que agora acreditam na palavra dos apóstolos, acreditam que Jesus não está
morto e que tudo aquilo era a mais pura verdade.
Jesus desapareceu da frente deles: Aqui o evangelista Lucas quer nos
ensinar que no momento em que temos a Fé, no momento em que acreditamos na
presença viva de Cristo na Eucaristia, não temos mais a necessidade de ver, com
os olhos carnais, a Pessoa de Jesus. A Eucaristia nos dá essa força, nos dá
esse novo ânimo em nossa caminhada. Os discípulos de Emaús sentem-se agora
renovados por esse alimento que nunca acaba e fazem o caminho de volta. Esse alimento nos faz missionários. Era
noite, mas isso não é mais impedimento para refazer o caminho, reencontrar os Apóstolos em Jerusalém, reencontrar-se com a Tradição Apostólica e
aprender a verdadeira mensagem de Cristo.
Encontrando reunidos os onze Apóstolos escutaram: “O Senhor ressuscitou
verdadeiramente e apareceu a Simão”. Pedro aqui é o aquele a quem Jesus confiou
esse rebanho, a quem Jesus entregou a responsabilidade de transmitir essa Fé e
esses fatos.
Queira Deus que nós sempre retomemos nosso caminho. Queira Deus que nós
sempre estejamos impelidos para a conversão de coração. Queira Deus que nós
nunca optemos em ficar nas trevas e sem Jesus.
“Fica
conosco” Senhor!
Pedro Debarba
quarta-feira, 31 de maio de 2017
A divina maternidade de Maria (Maria mãe de Deus)
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| O ÍCONE DA VIRGEM DE VLADIMIR |
Diante das inúmeras investidas contra Maria, Mãe de Jesus, é bom reler a Audiência Geral
do Papa Bento XVI proferida em 2 de janeiro de 2008 sobre "Maria Mãe de
Deus" Theotókos:
"Amados irmãos e
irmãs!
Uma fórmula de bênção
muito antiga, referida no Livro dos Números, recita: "Que o Senhor te
abençoe e te proteja! Que o Senhor faça resplandecer a Sua face sobre ti e te
seja benevolente! Que o Senhor dirija o seu olhar para ti e te conceda a paz!"
(6, 24-26). Com estas palavras que a liturgia nos fez ouvir ontem,
[01/01/2008], gostaria de formular cordiais bons votos a vós, aqui presentes, e
a quantos durante estas festas de Natal me manifestaram confirmações de
afetuosa proximidade espiritual.
Ontem, [01/01],
celebramos a solene festa de Maria, Mãe de Deus. "Mãe de Deus", Theotókos,
é o título atribuído oficialmente a Maria no século V,
exatamente no Concílio de Éfeso
de 431,
confirmado pela devoção do povo cristão já a partir do século III, no contexto
dos intensos debates daquele período sobre a pessoa de Cristo. Com aquele
título ressaltava-se que Cristo é Deus e
nasceu realmente de Maria como homem: na verdade, por mais que o
debate parecesse verter sobre Maria, ele dizia respeito essencialmente ao Filho.
Querendo salvaguardar a plena humanidade de Jesus, alguns Padres sugeriam uma
palavra menos forte: em vez do título de Theotókos, propunham o de Christotókos,
"Mãe de Cristo"; mas justamente esta sugestão foi vista como uma
ameaça à doutrina da plena unidade da divindade com a humanidade de Cristo.
Por isso, depois do amplo debate, no Concílio de Éfeso de 431, como disse, foi
solenemente confirmada, por um lado, a unidade
das duas naturezas, a divina e a humana, na pessoa do Filho de Deus (cf. DS, n. 250) e,
por outro, a legitimidade da atribuição à Virgem do título de Theotókos,
Mãe de Deus (ibid., n.251).
Depois deste Concílio
registrou-se uma verdadeira explosão de devoção mariana e foram construídas
numerosas igrejas dedicadas à Mãe de Deus. Entre elas sobressai a Basílica de
Santa Maria Maior, em Roma. A doutrina relativa à Maria, Mãe de Deus,
encontrou, além disso, nova confirmação no Concílio de Calcedônia (451) no
qual Cristo foi declarado "verdadeiro Deus e
verdadeiro homem (...) nascido de Maria Virgem e Mãe de Deus,
na sua humanidade, para nós e para a nossa salvação" (DS, n. 301). Como se
sabe, o Concílio Vaticano II reuniu num capítulo da Constituição dogmática
sobre a Igreja Lumen Gentium, o oitavo, a doutrina sobre Maria,
reafirmando a sua divina maternidade. O capítulo intitula-se: "A
Bem-Aventurada Virgem, Mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja".
A qualificação de Mãe
de Deus, tão profundamente ligada às festividades do Natal, é o apelativo
fundamental com o qual a Comunidade dos crentes honra, poderíamos dizer, desde
sempre a Virgem Santa. Ela exprime bem a missão de Maria na história da
salvação. Todos os outros títulos atribuídos a Nossa Senhora encontram o seu
fundamento na sua vocação para ser Mãe do Redentor, a criatura humana
eleita por Deus para realizar o plano de salvação, centrado no grande mistério
da encarnação do Verbo divino. Nestes dias de festa detemo-nos para contemplar
no presépio a representação da Natividade. No centro deste cenário encontramos
a Virgem Mãe que oferece o Menino Jesus à contemplação de quantos vão adorar o
Salvador: os pastores, o povo pobre de Belém, os Magos que vieram do Oriente.
Mais tarde, na festa da "Apresentação do Senhor", que celebraremos a
2 de Fevereiro, serão o velho Simeão e a profetisa Ana que receberão das mãos
da Mãe o pequeno Menino e O adorarão. A devoção do povo cristão considerou
sempre o nascimento de Jesus e a maternidade divina de Maria como dois aspectos
do mesmo mistério da encarnação do Verbo divino e por isso nunca
considerou a Natividade como algo do passado. Nós somos
"contemporâneos" dos pastores, dos magos, de Simeão e de Ana, ao irmos
com eles estamos cheios de alegria, porque Deus quis ser o Deus conosco e tem
uma mãe, que é a nossa mãe.
Do título de
"Mãe de Deus" derivam depois todos os outros títulos com que a Igreja
honra Nossa Senhora, mas este é o fundamental. Pensemos no privilégio da
"Imaculada Conceição", isto é, no fato de Ela ser imune ao pecado
desde a sua conceição: Maria foi
preservada de qualquer mancha de pecado porque devia ser a Mãe do Redentor. O mesmo é
válido para o título da "Assunção": Aquela que tinha gerado o Salvador
não podia estar sujeita à corrupção derivante do pecado original. E sabemos que
todos estes privilégios não são concedidos para afastar de nós Maria, mas ao
contrário, para a tornar mais próxima; de fato, estando totalmente com
Deus, esta Mulher está muito próxima de nós e ajuda-nos como mãe e como irmã.
Também o lugar único e irrepetível que Maria ocupa na Comunidade dos crentes
deriva desta sua vocação fundamental para ser a Mãe do Redentor. Precisamente
como tal, Maria é também a Mãe do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja.
Justamente por isso, durante o Concílio Vaticano II, a 21 de Novembro de 1964,
Paulo VI atribuiu solenemente a Maria o título de "Mãe da Igreja".
Precisamente porque é
Mãe da Igreja, a Virgem é também Mãe de cada um de nós, que somos membros do
Corpo místico de Cristo. Da Cruz Jesus confiou a Mãe a cada um dos seus
discípulos e, ao mesmo tempo, confiou cada discípulo ao amor da sua Mãe. O
evangelista João conclui a breve e sugestiva narração com as palavras: "E,
desde aquela hora, o discípulo recebeu-A em sua casa" (Lc 19, 27). É
assim a tradução italiana do texto grego: "εiς tά íδια",
ele recebeu-a na sua própria realidade, no seu próprio ser. Desta forma, faz
parte da sua vida e as duas vidas compenetram-se; e este aceitá-la
(εiς tά íδια) na própria vida é o testamento do Senhor. Portanto, no
momento supremo do cumprimento da missão messiânica, Jesus deixa a cada um dos
seus discípulos, como herança preciosa, a sua própria Mãe, a Virgem Maria.
Queridos irmãos e
irmãs, nestes primeiros dias do ano, somos convidados a considerar atentamente
a importância da presença de Maria na vida da Igreja e na nossa existência
pessoal. Confiemo-nos a ela para que guie os nossos passos neste novo período
de tempo que o Senhor nos concede viver, e nos ajude a ser autênticos amigos do
seu Filho e desta forma também artífices corajosos do seu Reino no mundo, Reino
da luz e da verdade. [...] Que o novo ano, que iniciou sob o sinal da Virgem
Maria, nos faça sentir mais vivamente a sua presença materna, de forma que,
amparados e confortados pela proteção da Virgem, possamos contemplar com um
renovado olhar o rosto do seu Filho Jesus e caminhar mais rapidamente pelas
estradas do bem.
Na íntegra: Documento da Audiência, original
*Grifos meus
*Pedro Debarba
DS: H. Denzinger - A. Schönmetzer, Enchiridion Symbolorum, Definitionum et
Declarationum de Rebus Fidei et Morum, Editio XXXV emendata, Romae 1973
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