sexta-feira, 26 de outubro de 2018

As Bem-Aventuranças - Mateus 5,1-10

Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu”
Ser pobre no coração: ISTO É SANTIDADE.

Felizes os mansos, porque possuirão a terra
Reagir com humilde mansidão: ISTO É SANTIDADE.

Felizes os que choram, porque serão consolados
Saber chorar com os outros: ISTO É SANTIDADE.

Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados
Buscar a justiça com fome e sede: ISTO É SANTIDADE.

Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia
Olhar e agir com misericórdia: ISTO É SANTIDADE.

Felizes os puros de coração, porque verão a Deus
Manter o coração limpo de tudo o que mancha o amor: ISTO É SANTIDADE.

“Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”
Semear a paz ao nosso redor: ISTO É SANTIDADE.

Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu
Abraçar diariamente o caminho do Evangelho mesmo que nos acarrete problemas: ISTO É SANTIDADE.

(Extraído da Exortação Apostólica "Gaudete et exsultate")

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

"A pena de morte é inadmissível", diz papa Francisco

Olá meus irmãos e irmãs, segue a nova redação do número 2267 do Catecismo da Igreja Católica que trata da pena de morte:
2267. Durante muito tempo, considerou-se o recurso à pena de morte por parte da autoridade legítima, depois de um processo regular, como uma resposta adequada à gravidade de alguns delitos e um meio aceitável, ainda que extremo, para a tutela do bem comum.
Hoje vai-se tornando cada vez mais viva a consciência de que a dignidade da pessoa não se perde, mesmo depois de ter cometido crimes gravíssimos. Além disso, difundiu-se uma nova compreensão do sentido das sanções penais por parte do Estado. Por fim, foram desenvolvidos sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a indispensável defesa dos cidadãos sem, ao mesmo tempo, tirar definitivamente ao réu a possibilidade de se redimir.
Por isso a Igreja ensina, à luz do Evangelho, que «a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa»[1], e empenha-se com determinação a favor da sua abolição em todo o mundo.
________________________
[1] Francisco, Discurso aos participantes no encontro promovido pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, 11 de outubro de 2017: L’Osservatore Romano, 13 de outubro de 2017, 5 (ed. port. 19 de outubro de 2017, 13).

terça-feira, 31 de julho de 2018

Há diferença entre a Fé Judaica e a Fé Cristã?


A Fé é o ponto inicial de todo e qualquer itinerário (percurso) religioso. Fé é a total confiança em Deus. Para entendermos melhor o nosso caminhar, o nosso itinerário, é preciso que tenhamos claro em quem confiamos. Saber onde depositamos nossa confiança, é sinal de que caminharemos mais firmemente seguros.
Existe uma diferença entre “Fé Judaica” e “Fé Cristã”. Você saberia dizer onde está essa diferença? Em que a Fé Judaica confia e em que a Fé Cristã confia? É isso que vamos descobrir juntos, venha comigo!
A Fé Judaica tem seu fundamento em “acontecimentos de salvação”. Ela confia em Deus devido aos acontecimentos relatados no Primeiro Testamento bíblico. Por exemplo: o Chamado de Abraão; a saída do Egito; a passagem do Mar Vermelho; a conquista da Terra Prometida; entre outros. Pois a religião judaica confia em Deus por ter se revelado poderoso e ao lado do seu povo nesses acontecimentos cruciais e essa confiança é passada de geração em geração. Assim, até hoje a Fé Judaica espera a vinda do Messias.
A Fé Cristã tem seu fundamento em uma Pessoa: Jesus Cristo, o Messias esperado no Primeiro Testamento bíblico. Nós cristãos não confiamos apenas em acontecimentos, em ideias, em doutrinas e em leis, mas temos a Pessoa de Jesus Cristo, o Emanuel, que é Deus Conosco. Essa fé na Pessoa de Jesus torna-se Trinitária, pois confiamos que a Salvação vem de Deus Pai, a revelação dessa Salvação vem de Deus Filho e a santificação vem do Espírito Santo. Os sinais de salvação ficam evidenciados no amor, na justiça, na solidariedade, na partilha, no perdão, na união...
Fazer com que a luz brilhe nas trevas, isso é salvação.

“A graça esteja com todos vós. Amém” (Hebreus 13,25)
Pedro Debarba

terça-feira, 15 de maio de 2018

Como se transmite a fé


Paz e Bem!

     Nas grandes cidades as empregadas domésticas estrangeiras são cada vez mais frequentemente segundas mães e, com a concretude do amor e do testemunho, transmitem a fé às crianças. E talvez os pais, ocupados com numerosos compromissos de trabalho, tenham que redescobrir a beleza do seu papel na transmissão da fé aos seus filhos, sem esperar o catecismo na paróquia ou alguma esporádica participação na missa.
     O Papa convidou de novo a ser testemunhas do Evangelho para suscitar a curiosidade em quantos não creem, e assim começar a obra do Espírito Santo, dirigindo um pensamento e uma oração especiais por todos os pais. E a sugestão a não transmitir a fé fazendo proselitismo nem procurando apoio como para uma seleção de futebol.
     “No trecho da carta de São Paulo aos Coríntios fala-se da transmissão da fé”, observou Francisco referindo-se à primeira leitura (15, 1-8), repetindo as palavras escritas pelo apóstolo: “Eu transmiti a vós antes de tudo o que também recebi”. E é precisamente assim, explicou o Papa, que “se deve transmitir a fé: ofereço o que recebi, e Paulo recita o que recebeu”. Mas “a fé não é só a recitação do Credo: a fé exprime-se no Credo, mas é algo mais”. Pois se “tudo aquilo em que cremos está no Credo, a atitude de fé vai além, é outra coisa, maior”.
     De resto, insistiu o Pontífice, “transmitir a fé não significa dar informações, mas fundar um coração na fé em Jesus Cristo”. Por isso, “transmitir a fé não se pode fazer mecanicamente”, dizendo: “Toma este livrete, estuda-o e depois eu batizo-te”. “Não”, insistiu, “é outro o caminho para transmitir a fé: é comunicar o que nós recebemos”.
     É precisamente “este o desafio do cristão: ser fecundo na transmissão da fé”, afirmou. Mas é “também o desafio da Igreja: ser mãe fecunda, dar à luz filhos na fé”, acrescentou, explicando que “este não é um exagero: é o que dizemos na cerimônia do Batismo”. Portanto, eis “a Igreja que dá à luz, que é mãe”. E nesta perspectiva Francisco sugeriu “duas pistas da transmissão da fé”.
     “A Igreja é mãe se transmite a fé no amor, sempre com ar de amor”, disse o Papa, recordando que “não se pode transmitir a fé sem esta característica materna”. A ponto que “alguém escreveu elegantemente” que “a fé não é concedida, mas dada à luz”. E é “a Igreja que dá à luz a fé dentro de nós: ou seja, a transmissão da fé caracteriza-se sempre com o amor da mãe Igreja, dá-se em casa”.
     O próprio São Paulo, prosseguiu o Papa, “lembra a Timóteo, num bonito trecho: ‘Recordo a fé da tua mãe e da tua avó’”. Portanto, explicou Francisco, “é a fé que deve ser transmitida de geração em geração, como um dom”. Mas sempre “no amor, no amor da família: é ali que se transmite a fé, não só com palavras, mas com amor, carícias e ternura”.
     A este propósito, o Pontífice voltou a propor também o episódio narrado no livro dos Macabeus, “quando aquela mulher encorajava os sete filhos face ao martírio: no texto diz-se que por duas vezes aquela mulher falou aos filhos na língua materna, dava-lhes força na fé, mas na língua materna”. Pois “a verdadeira fé se transmite sempre em dialeto: o dialeto do amor, da família, da casa, aquele que se capta no ar”. E “talvez a língua seja a mesma, mas ali há algo de dialeto, e ali a fé transmite-se maternalmente”.
     Em síntese, explicou o Papa, se a primeira atitude para a transmissão da fé é o amor, outra atitude é o testemunho. Na realidade, afirmou, “transmitir a fé não significa fazer proselitismo: é outra coisa, é maior ainda”. Sem dúvida, prosseguiu, “não significa procurar pessoas que ajudem esta seleção de futebol, este clube, este centro cultural: isto está bem, mas para a fé não serve o proselitismo”. E Bento XVI disse: “A Igreja cresce não por proselitismo mas por atração”. Com efeito, afirmou Francisco, “a fé transmite-se por atração, ou seja, por testemunho”. E, acrescentou, “hoje celebramos a festa de dois apóstolos, Filipe e Tiago, que deram a vida, transmitiram a fé mediante o testemunho”. Portanto, devemos testemunhar a fé.
     A este propósito, o Papa quis compartilhar uma sua recordação pessoal: “Certa vez numa das jornadas da juventude, acho que foi em Cracóvia, num almoço com os jovens, um deles perguntou-me: ‘Tenho um amigo que é ateu, mas é muito bom e eu gosto dele. O que devo dizer-lhe para que se converta?’”. Eis a resposta franca do Papa: “É melhor que nada lhe digas, age. E que ele se questione: por que este homem se comporta assim? Por que este homem faz assim, quando é normal fazer o contrário? Dá testemunho!”.
     É um fato, explicou o Pontífice, que “o testemunho provoca a curiosidade no coração do outro, e o Espírito Santo pega nessa curiosidade” e começa a trabalhar “dentro”. Assim, “a Igreja crê por atração, cresce por atração, e a transmissão da fé verifica-se com o testemunho, até ao martírio”. Precisamente “quando se vê esta coerência de vida com o que nós dizemos, surge sempre a curiosidade: ‘Mas por que ele vive assim? Por que leva uma vida de serviço ao próximo?’”. E ”essa curiosidade é a semente que o Espírito Santo pega e leva em frente; e a transmissão da fé torna-nos justos, justifica-nos”.
     Portanto, afirmou o Papa, “a fé justifica-nos, e na sua transmissão nós fazemos verdadeira justiça aos outros”. No fundo, “é simples” o que Paulo escreve aos Coríntios: “Eu transmiti a vós antes de tudo o que também recebi”. As palavras do apóstolo são claras: “Eu transmiti o que recebi”. Recordam “a transmissão da fé no amor, em casa”. Mas, relevou Francisco, “muitas vezes em casa ouvimos dizer: ‘Quando frequentar o catecismo aprenderá’”. E “muitas vezes são as empregadas domésticas, mulheres de fé, que transmitem a fé às crianças: até as empregadas domésticas estrangeiras”. Talvez os “pais trabalhem; talvez vão à missa uma, duas, três, quatro vezes por ano, talvez vão à missa de vez em quando, são católicos, mas não sabem transmitir a fé; são as empregadas domésticas que a transmitem”.
     E este, afirmou o Pontífice, “é um fato que se vê todos os dias nas grandes cidades e até aqui na Itália”. A fé transmite-se “com o amor e a empregada doméstica é aquela que acaricia, que cuida, que faz crescer e que ajuda a mãe, é como uma segunda mãe”. E “isto significa transmitir a fé no amor, no testemunho”, porque não se trata de “transmitir uma filosofia”, mas de “transmitir algo que te justifica, que te torna justo aos olhos de Deus”.
     Por fim, o Papa convidou a pedir “ao Senhor por tantos pais para que saibam cuidar disto, pois transmitir a fé é algo grandioso, muito bonito”. E pedir “por tantos cristãos a fim de que o Senhor lhes conceda a todos a força de dar testemunho e, com o testemunho, semear curiosidade; e o Espírito Santo pega naquela curiosidade e abre o coração para receber a fé”.
PAPA FRANCISCO, MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA NA CAPELA DA CASA SANTA MARTA, Como se transmite a fé, Quinta-feira, 3 de maio de 2018.
 Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 19 de 10 de maio de 2018

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

As “Fake News” aumentam a arrogância e o ódio, afirma Papa Francisco

     Paz e Bem!


     Na mensagem do Papa Francisco do dia 24 de janeiro, ele fala sobre Fake News ou Notícias Falsas.

     O Papa inicia lembrando que a comunicação humana deve ser essencial para viver a comunhão e que esse tema das notícias falsas relaciona-se com o tema sobre a verdade.

     “A expressão fake news  diz respeito à desinformação transmitida on-line ou nos mass-media tradicionais” que tendem “a enganar e até manipular o destinatário”. Quem cria ou distribui essas notícias falsas são exploradores de emoções, e, suscitam “a ansiedade, o desprezo, a ira e a frustração” no destinatário. “Deste modo, as notícias falsas revelam a presença de atitudes simultaneamente intolerantes e hipersensíveis, cujo único resultado é o risco de se dilatar a arrogância e o ódio. É a isto que leva, em última análise, a falsidade”.
      Uma atitude que o Papa nos pede é a de “não ser divulgadores inconscientes de desinformação” e que devemos “desmascarar uma lógica, que se poderia definir como a ‘lógica da serpente’, capaz de se camuflar e morder em qualquer lugar”. “Nenhuma desinformação é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso produz consequências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos”.
       “O antídoto mais radical ao vírus da falsidade é deixar-se purificar pela verdade. (...) A verdade é aquilo sobre o qual nos podemos apoiar para não cair. Neste sentido relacional, o único verdadeiramente fiável e digno de confiança sobre o qual se pode contar, ou seja, o único ‘verdadeiro’ é o Deus vivo. Eis a afirmação de Jesus: ‘Eu sou a verdade’ (Jo 14, 6). Sendo assim, o homem descobre sempre mais a verdade, quando a experimenta em si mesmo como fidelidade e fiabilidade de quem o ama. Só isto liberta o homem: ‘A verdade vos tornará livres’(Jo 8, 32)”.

      Dois ingredientes que não podem faltar em nossas ações: Libertação da falsidade e busca de relacionamento. “De fato, uma argumentação impecável pode basear-se em fatos inegáveis, mas, se for usada para ferir o outro e desacreditá-lo à vista alheia, por mais justa que apareça, não é habitada pela verdade. A partir dos frutos, podemos distinguir a verdade dos vários enunciados: se suscitam polêmica, fomentam divisões, infundem resignação ou se, em vez disso, levam a uma reflexão consciente e madura, ao diálogo construtivo, a uma profícua atividade”.

      “O melhor antídoto contra as falsidades são as pessoas: Pessoas que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através da fadiga dum diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem”.
      O Papa termina com uma oração inspirada numa oração franciscana:
“Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz.
Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não
cria comunhão.
Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos.
Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs.
Vós sois fiel e digno de confiança;
fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:
onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta;
onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia;
onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza;
onde houver exclusão, fazei que levemos partilha;
onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade;
onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos
verdadeiros;
onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança;
onde houver agressividade, fazei que levemos respeito;
onde houver falsidade, fazei que levemos verdade.
Amém”.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Os Discípulos de Emaús

Paz e Bem meus irmão e minhas irmãs!
Texto Bíblico:  Lucas 24,13-35

Qual o ensinamento que podemos extrair desse brilhante texto?
Primeiramente, o texto faz referência ao modo de como eram celebradas as reuniões dos primeiros cristãos. Essas reuniões ou celebrações eram divididas em duas grandes partes: a primeira era a escuta da Palavra e a segunda era a partilha do pão. Esse modelo está presente na Liturgia Eucarística que hoje celebramos.
No texto, percebemos que os discípulos estão afastando-se de Jerusalém, ou seja, afastando-se da origem, afastando-se dos apóstolos, afastando-se da Tradição Apostólica deixada por Jesus. Aproximando-se deles, Jesus entra na conversa e quer saber o porquê de tanta tristeza. Assim, Jesus nos ensina que devemos escutar e caminhar junto com aqueles que andam tristes pelos caminhos da vida, antes de proferir alguma palavra ou de dar nossos conselhos. Em seguida, Jesus explica a eles através dos profetas que esses fatos já estavam mencionados nas escrituras. O coração deles era ardia em fogo ao escutar essas palavras tão esclarecedoras. Jesus nunca nos obriga a algo que não queremos, pois mesmo depois de tudo isso, Ele insinua que irá mais adiante, deixando, dessa forma, os dois discípulos livres para acolher ou não essas palavras. Nós também não podemos forçar que uma pessoa aceite aquilo que ensinamos, mas apenas fazer como o semeador que joga a semente no solo e deixa que ela mesma germine.
Os discípulos, mais que depressa, oram a Jesus de forma brilhante: “Fica conosco, já é tarde e a noite se aproxima”. Os dois sentiram que junto àquele homem haveria luz e não trevas e que era bom ficar na presença dele, mesmo eles não sabendo que era ele. Uma cordialidade é convidar para a mesa, e foi isso que os dois fizeram. Jesus tomando o pão em suas mãos faz os mesmos gestos da última Ceia, abençoa e parte. Provavelmente esses dois discípulos não estavam na Ceia com os apóstolos, mas ouviram dos apóstolos como tinha sido esse momento tão especial com o mestre. Então, seus olhos se abrem e O reconhecem. Eis que agora acreditam na palavra dos apóstolos, acreditam que Jesus não está morto e que tudo aquilo era a mais pura verdade.
Jesus desapareceu da frente deles: Aqui o evangelista Lucas quer nos ensinar que no momento em que temos a Fé, no momento em que acreditamos na presença viva de Cristo na Eucaristia, não temos mais a necessidade de ver, com os olhos carnais, a Pessoa de Jesus. A Eucaristia nos dá essa força, nos dá esse novo ânimo em nossa caminhada. Os discípulos de Emaús sentem-se agora renovados por esse alimento que nunca acaba e fazem o caminho de volta. Esse alimento nos faz missionários. Era noite, mas isso não é mais impedimento para refazer o caminho, reencontrar os Apóstolos em Jerusalém, reencontrar-se com a Tradição Apostólica e aprender a verdadeira mensagem de Cristo.
Encontrando reunidos os onze Apóstolos escutaram: “O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão”. Pedro aqui é o aquele a quem Jesus confiou esse rebanho, a quem Jesus entregou a responsabilidade de transmitir essa Fé e esses fatos.
Queira Deus que nós sempre retomemos nosso caminho. Queira Deus que nós sempre estejamos impelidos para a conversão de coração. Queira Deus que nós nunca optemos em ficar nas trevas e sem Jesus.
                 “Fica conosco” Senhor!
Pedro Debarba

quarta-feira, 31 de maio de 2017

A divina maternidade de Maria (Maria mãe de Deus)

O ÍCONE DA VIRGEM DE VLADIMIR
Diante das inúmeras investidas contra Maria, Mãe de Jesus, é bom reler a Audiência Geral do Papa Bento XVI proferida em 2 de janeiro de 2008 sobre "Maria Mãe de Deus" Theotókos:

"Amados irmãos e irmãs!
Uma fórmula de bênção muito antiga, referida no Livro dos Números, recita: "Que o Senhor te abençoe e te proteja! Que o Senhor faça resplandecer a Sua face sobre ti e te seja benevolente! Que o Senhor dirija o seu olhar para ti e te conceda a paz!" (6, 24-26). Com estas palavras que a liturgia nos fez ouvir ontem, [01/01/2008], gostaria de formular cordiais bons votos a vós, aqui presentes, e a quantos durante estas festas de Natal me manifestaram confirmações de afetuosa proximidade espiritual.
Ontem, [01/01], celebramos a solene festa de Maria, Mãe de Deus. "Mãe de Deus", Theotókos, é o título atribuído oficialmente a Maria no século V, exatamente no Concílio de Éfeso de 431, confirmado pela devoção do povo cristão já a partir do século III, no contexto dos intensos debates daquele período sobre a pessoa de Cristo. Com aquele título ressaltava-se que Cristo é Deus e nasceu realmente de Maria como homem: na verdade, por mais que o debate parecesse verter sobre Maria, ele dizia respeito essencialmente ao Filho. Querendo salvaguardar a plena humanidade de Jesus, alguns Padres sugeriam uma palavra menos forte: em vez do título de Theotókos, propunham o de Christotókos, "Mãe de Cristo"; mas justamente esta sugestão foi vista como uma ameaça à doutrina da plena unidade da divindade com a humanidade de Cristo. Por isso, depois do amplo debate, no Concílio de Éfeso de 431, como disse, foi solenemente confirmada, por um lado, a unidade das duas naturezas, a divina e a humana, na pessoa do Filho de Deus (cf. DS, n. 250) e, por outro, a legitimidade da atribuição à Virgem do título de Theotókos, Mãe de Deus (ibid., n.251).
Depois deste Concílio registrou-se uma verdadeira explosão de devoção mariana e foram construídas numerosas igrejas dedicadas à Mãe de Deus. Entre elas sobressai a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma. A doutrina relativa à Maria, Mãe de Deus, encontrou, além disso, nova confirmação no Concílio de Calcedônia (451) no qual Cristo foi declarado "verdadeiro Deus e verdadeiro homem (...) nascido de Maria Virgem e Mãe de Deus, na sua humanidade, para nós e para a nossa salvação" (DS, n. 301). Como se sabe, o Concílio Vaticano II reuniu num capítulo da Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium, o oitavo, a doutrina sobre Maria, reafirmando a sua divina maternidade. O capítulo intitula-se: "A Bem-Aventurada Virgem, Mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja".
A qualificação de Mãe de Deus, tão profundamente ligada às festividades do Natal, é o apelativo fundamental com o qual a Comunidade dos crentes honra, poderíamos dizer, desde sempre a Virgem Santa. Ela exprime bem a missão de Maria na história da salvação. Todos os outros títulos atribuídos a Nossa Senhora encontram o seu fundamento na sua vocação para ser Mãe do Redentor, a criatura humana eleita por Deus para realizar o plano de salvação, centrado no grande mistério da encarnação do Verbo divino. Nestes dias de festa detemo-nos para contemplar no presépio a representação da Natividade. No centro deste cenário encontramos a Virgem Mãe que oferece o Menino Jesus à contemplação de quantos vão adorar o Salvador: os pastores, o povo pobre de Belém, os Magos que vieram do Oriente. Mais tarde, na festa da "Apresentação do Senhor", que celebraremos a 2 de Fevereiro, serão o velho Simeão e a profetisa Ana que receberão das mãos da Mãe o pequeno Menino e O adorarão. A devoção do povo cristão considerou sempre o nascimento de Jesus e a maternidade divina de Maria como dois aspectos do mesmo mistério da encarnação do Verbo divino e por isso nunca considerou a Natividade como algo do passado. Nós somos "contemporâneos" dos pastores, dos magos, de Simeão e de Ana, ao irmos com eles estamos cheios de alegria, porque Deus quis ser o Deus conosco e tem uma mãe, que é a nossa mãe.
Do título de "Mãe de Deus" derivam depois todos os outros títulos com que a Igreja honra Nossa Senhora, mas este é o fundamental. Pensemos no privilégio da "Imaculada Conceição", isto é, no fato de Ela ser imune ao pecado desde a sua conceição: Maria foi preservada de qualquer mancha de pecado porque devia ser a Mãe do Redentor. O mesmo é válido para o título da "Assunção": Aquela que tinha gerado o Salvador não podia estar sujeita à corrupção derivante do pecado original. E sabemos que todos estes privilégios não são concedidos para afastar de nós Maria, mas ao contrário, para a tornar mais próxima; de fato, estando totalmente com Deus, esta Mulher está muito próxima de nós e ajuda-nos como mãe e como irmã. Também o lugar único e irrepetível que Maria ocupa na Comunidade dos crentes deriva desta sua vocação fundamental para ser a Mãe do Redentor. Precisamente como tal, Maria é também a Mãe do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja. Justamente por isso, durante o Concílio Vaticano II, a 21 de Novembro de 1964, Paulo VI atribuiu solenemente a Maria o título de "Mãe da Igreja".
Precisamente porque é Mãe da Igreja, a Virgem é também Mãe de cada um de nós, que somos membros do Corpo místico de Cristo. Da Cruz Jesus confiou a Mãe a cada um dos seus discípulos e, ao mesmo tempo, confiou cada discípulo ao amor da sua Mãe. O evangelista João conclui a breve e sugestiva narração com as palavras: "E, desde aquela hora, o discípulo recebeu-A em sua casa" (Lc 19, 27). É assim a tradução italiana do texto grego: "εiς tά íδια", ele recebeu-a na sua própria realidade, no seu próprio ser. Desta forma, faz parte da sua vida e as duas vidas compenetram-se; e este aceitá-la (εiς tά íδια) na própria vida é o testamento do Senhor. Portanto, no momento supremo do cumprimento da missão messiânica, Jesus deixa a cada um dos seus discípulos, como herança preciosa, a sua própria Mãe, a Virgem Maria.

Queridos irmãos e irmãs, nestes primeiros dias do ano, somos convidados a considerar atentamente a importância da presença de Maria na vida da Igreja e na nossa existência pessoal. Confiemo-nos a ela para que guie os nossos passos neste novo período de tempo que o Senhor nos concede viver, e nos ajude a ser autênticos amigos do seu Filho e desta forma também artífices corajosos do seu Reino no mundo, Reino da luz e da verdade. [...] Que o novo ano, que iniciou sob o sinal da Virgem Maria, nos faça sentir mais vivamente a sua presença materna, de forma que, amparados e confortados pela proteção da Virgem, possamos contemplar com um renovado olhar o rosto do seu Filho Jesus e caminhar mais rapidamente pelas estradas do bem.
*Grifos meus
*Pedro Debarba
DS: H. Denzinger - A. Schönmetzer, Enchiridion Symbolorum, Definitionum et Declarationum de Rebus Fidei et Morum, Editio XXXV emendata, Romae 1973 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Domingo de Ramos: doce e amargo

     "E este Jesus, que aceita ser aclamado, mesmo sabendo que O espera o 'crucifica-o!', não nos pede para O contemplarmos apenas nos quadros, nas fotografias, ou nos vídeos que circulam na rede. Não. Está presente em muitos dos nossos irmãos e irmãs que hoje, sim hoje, padecem tribulações como Ele: sofrem com um trabalho de escravos, sofrem com os dramas familiares, as doenças... Sofrem por causa das guerras e do terrorismo, por causa dos interesses que se movem por detrás das armas que não cessam de matar.       
     Homens e mulheres enganados, violados na sua dignidade, descartados.... Jesus está neles, em cada um deles, e com aquele rosto desfigurado, com aquela voz rouca, pede para ser enxergado, reconhecido, amado.
       Não há outro Jesus: é o mesmo que entrou em Jerusalém por entre o acenar de ramos de palmeira e oliveira. É o mesmo que foi pregado na cruz e morreu entre dois malfeitores. Não temos outro Senhor para além d’Ele: Jesus, humilde Rei de justiça, misericórdia e paz." (Papa Francisco, Domingo de Ramos, 09/04/2017)

Confira a Homilia do Papa Francisco no link abaixo:

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Aborto (se está vivo, então leia)

Caros leitores,
Resultado de imagem para feto

Estão¹ montando uma estrutura 'megalomaníaca' para a punição de fetos, mas falta estrutura para punir estupradores. Citei estupradores porque essa é a maior bandeira para legalizar o aborto, mulheres que não tiveram escolha (foram obrigadas, estupradas) na hora da concepção. A questão é profunda, temos que ter uma visão holística². Aí vem a grande pergunta, o feto que está sendo formado no ventre pode escolher entre nascer ou morrer?

Por outro lado, coloco-me no lugar de uma mulher que sofreu estupro. Ela se vê desamparada, se vê perdida no mundo e sem sentido de ela mesma existir. É um dos piores sofrimentos, que abre espaço para pensar no aborto. Mas, o que leva a mulher pensar em abortar? A resposta é simples: não temos apoio social (psicológico, religioso e familiar). Se as mulheres recebessem apoio da sociedade como um todo, reduziríamos em muito o pensamento abortivo.

Assim sendo, um primeiro “apoio” às mulheres que sofreram tal invasão seria a punição de estupradores. Mas o que vemos são milhares deles soltos e rindo de tudo e todos. Um segundo apoio a essas mulheres é um acolhimento social que vem acompanhado de um olhar compassivo e renovador, olhar esse que envolve o psicólogo, o religioso e os governantes. Sim, governantes, pois a estes foi entregue a tarefa de zelar por centros de acolhimento e de zelar pela remuneração de profissionais da saúde (enfermeiros, médicos e psicólogos). O argumento “falta dinheiro em caixa” é obsoleto, pois vemos o quanto pagamos de impostos.

Veja, a vida deve ser protegida desde a sua concepção até o momento da morte. E nós não podemos condenar uma vida indefesa por falhas estruturais. Vamos arrumar as “estruturas” e não condenar à morte um indefeso. Podemos sim levar ao júri os que conseguem se defender (estupradores, por exemplo), mas não levemos ao júri um feto que apenas tem sentimentos e não pode se defender.

Sejamos contra esse ato e a favor da vida. Sejamos protagonistas em apoiar as mulheres que sofreram algum abuso. Sejamos conscientes do que defendemos. Eu defendo o indefeso. E você a quem defende?
Pedro Debarba, teólogo

¹ "Estão" é uma referência aos governantes, aos meios de comunicação e grupos pró aborto.

² A palavra holístico foi criada a partir do termo holos, que em grego significa "todo" ou "inteiro". O holismo é um conceito criado por Jan Christiaan Smuts em 1926, que o descreveu como a "tendência da natureza de usar a evolução criativa para formar um "todo" que é maior do que a soma das suas partes". https://www.significados.com.br/holistico/

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Setembro - Mês da Bíblia

Paz e Bem irmãos e irmãs.

           No mês de Setembro somos convidado pela Igreja a olharmos com maior carinho para a Bíblia, a palavra de Deus. O testamento divino deixado para a humanidade. Nesse mês o propósito é conhecer ainda mais essa preciosidade. A Bíblia é palavra viva, tudo nela se renova ao passar dos anos.
           Pensando nisso que lhes compartilho uma curiosidade: Um manuscrito da Bíblia em grego no século IV (301 d.C. a 400 d.C.).
           O Vaticano compartilhou a digitalização dessa Bíblia (Aqui está o link da Bíblia em grego), entre muitas outras digitalizações. Esse manuscrito trata-se de um dos mais antigos da Bíblia grega.



 No canto esquerdo da página, ao clicar em "READ MORE", veremos a listagem de todos os livros:

Segue uma página, Evangelho de Lucas 24:

Pedro Debarba (teólogo)