segunda-feira, 10 de abril de 2017

Domingo de Ramos: doce e amargo

     "E este Jesus, que aceita ser aclamado, mesmo sabendo que O espera o 'crucifica-o!', não nos pede para O contemplarmos apenas nos quadros, nas fotografias, ou nos vídeos que circulam na rede. Não. Está presente em muitos dos nossos irmãos e irmãs que hoje, sim hoje, padecem tribulações como Ele: sofrem com um trabalho de escravos, sofrem com os dramas familiares, as doenças... Sofrem por causa das guerras e do terrorismo, por causa dos interesses que se movem por detrás das armas que não cessam de matar.       
     Homens e mulheres enganados, violados na sua dignidade, descartados.... Jesus está neles, em cada um deles, e com aquele rosto desfigurado, com aquela voz rouca, pede para ser enxergado, reconhecido, amado.
       Não há outro Jesus: é o mesmo que entrou em Jerusalém por entre o acenar de ramos de palmeira e oliveira. É o mesmo que foi pregado na cruz e morreu entre dois malfeitores. Não temos outro Senhor para além d’Ele: Jesus, humilde Rei de justiça, misericórdia e paz." (Papa Francisco, Domingo de Ramos, 09/04/2017)

Confira a Homilia do Papa Francisco no link abaixo:

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Aborto (se está vivo, então leia)

Caros leitores,
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Estão¹ montando uma estrutura 'megalomaníaca' para a punição de fetos, mas falta estrutura para punir estupradores. Citei estupradores porque essa é a maior bandeira para legalizar o aborto, mulheres que não tiveram escolha (foram obrigadas, estupradas) na hora da concepção. A questão é profunda, temos que ter uma visão holística². Aí vem a grande pergunta, o feto que está sendo formado no ventre pode escolher entre nascer ou morrer?

Por outro lado, coloco-me no lugar de uma mulher que sofreu estupro. Ela se vê desamparada, se vê perdida no mundo e sem sentido de ela mesma existir. É um dos piores sofrimentos, que abre espaço para pensar no aborto. Mas, o que leva a mulher pensar em abortar? A resposta é simples: não temos apoio social (psicológico, religioso e familiar). Se as mulheres recebessem apoio da sociedade como um todo, reduziríamos em muito o pensamento abortivo.

Assim sendo, um primeiro “apoio” às mulheres que sofreram tal invasão seria a punição de estupradores. Mas o que vemos são milhares deles soltos e rindo de tudo e todos. Um segundo apoio a essas mulheres é um acolhimento social que vem acompanhado de um olhar compassivo e renovador, olhar esse que envolve o psicólogo, o religioso e os governantes. Sim, governantes, pois a estes foi entregue a tarefa de zelar por centros de acolhimento e de zelar pela remuneração de profissionais da saúde (enfermeiros, médicos e psicólogos). O argumento “falta dinheiro em caixa” é obsoleto, pois vemos o quanto pagamos de impostos.

Veja, a vida deve ser protegida desde a sua concepção até o momento da morte. E nós não podemos condenar uma vida indefesa por falhas estruturais. Vamos arrumar as “estruturas” e não condenar à morte um indefeso. Podemos sim levar ao júri os que conseguem se defender (estupradores, por exemplo), mas não levemos ao júri um feto que apenas tem sentimentos e não pode se defender.

Sejamos contra esse ato e a favor da vida. Sejamos protagonistas em apoiar as mulheres que sofreram algum abuso. Sejamos conscientes do que defendemos. Eu defendo o indefeso. E você a quem defende?
Pedro Debarba, teólogo

¹ "Estão" é uma referência aos governantes, aos meios de comunicação e grupos pró aborto.

² A palavra holístico foi criada a partir do termo holos, que em grego significa "todo" ou "inteiro". O holismo é um conceito criado por Jan Christiaan Smuts em 1926, que o descreveu como a "tendência da natureza de usar a evolução criativa para formar um "todo" que é maior do que a soma das suas partes". https://www.significados.com.br/holistico/

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Setembro - Mês da Bíblia

Paz e Bem irmãos e irmãs.

           No mês de Setembro somos convidado pela Igreja a olharmos com maior carinho para a Bíblia, a palavra de Deus. O testamento divino deixado para a humanidade. Nesse mês o propósito é conhecer ainda mais essa preciosidade. A Bíblia é palavra viva, tudo nela se renova ao passar dos anos.
           Pensando nisso que lhes compartilho uma curiosidade: Um manuscrito da Bíblia em grego no século IV (301 d.C. a 400 d.C.).
           O Vaticano compartilhou a digitalização dessa Bíblia (Aqui está o link da Bíblia em grego), entre muitas outras digitalizações. Esse manuscrito trata-se de um dos mais antigos da Bíblia grega.



 No canto esquerdo da página, ao clicar em "READ MORE", veremos a listagem de todos os livros:

Segue uma página, Evangelho de Lucas 24:

Pedro Debarba (teólogo)

quinta-feira, 3 de março de 2016

Olhar compassivo de Jesus

Nós, humanos, fomos feitos à imagem e semelhança* de Deus, o qual se revelou com o rosto misericordioso de Jesus de Nazaré. Sendo assim, nós conheceremos nossa "Raiz" mais profunda e viveremos em harmonia com o próximo e com a natureza no momento em que nossas atitudes se espelharem nas atitudes de Jesus.
Então lhe convido a contemplar comigo uma atitude de Jesus, entre muitas, na qual Ele "abaixa-se" e vai ao encontro do outro.
A passagem é a da mulher pega em adultério** ou "mulher adúltera": os escribas e fariseus levam a mulher até Jesus e lhe perguntam o que fazer com ela, pois a lei mosaica*** manda apedrejar por tal pecado. Jesus, no entanto, tem uma saída brilhante, "abaixa-se" e começa a escrever no chão. Aqui o que menos importa é o que ele escreve. O importante é sua atitude. A única pessoa que estava "abaixada" ou "caída" no chão era a "pecadora", e Ele é o único que "desce" até onde ela estava para resgatá-la. Jesus se põe no lugar da mulher e olha diretos nos olhos dela. Esse olhar é salvador, é um olhar que oferece aconchego e redenção.
Essa atitude de Jesus não quer dizer que ele está de acordo com o pecado, mas sim está resgatando o pecador. Jesus condena o adultério****, mas não condena a adúltera e sim a resgata pedindo a ela que não peques mais.
Neste ano da misericórdia (teve início em 8 de dezembro de 2015), o Papa Francisco nos convida a irmos ao encontro do outro, nos convida a olhar nos olhos do outro e oferecer o perdão. O encontro com nosso próximo é um dos locais de encontro com a pessoa de Jesus Cristo, “rosto divino do homem e rosto humano de Deus”. “Abre-nos um caminho de esperança e de conforto. É bom sentir sobre nós o mesmo olhar compassivo de Jesus, assim como o sentiu a mulher pecadora” (Papa Francisco, “anúncio do ano jubilar”).
______________
* Gênesis 1, 26
** João 8, 14
*** Êxodo 20, 14 e Levítico 20, 10
**** Mateus 5, 27-28
Pedro Debarba

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Caminho da paz

PAPA FRANCISCO
Francesco
MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA CASA SANTA MARTA


Caminho da paz
Quinta-feira, 19 de Novembro de 2015
 Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 48 de 26 de Novembro de 2015
O mundo volte a encontrar o caminho da paz "precisamente à porta deste jubileu da misericórdia". "Jesus chorou”, disse Francisco na homilia, recordando as palavras do evangelho de Lucas (19, 41-44). Quando “se aproximou de Jerusalém”, o Senhor, “vendo a cidade, chorou”. Porquê? O próprio Jesus responde: “Se também tu, pelo menos neste dia que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz! Mas isto está ocultado aos teus olhos”. Portanto, “chorou porque Jerusalém não entendera o caminho da paz e escolhera a vida das inimizades, do ódio, da guerra”.
“Hoje Jesus está no céu e vê-nos” — recordou Francisco — e “virá ao nosso altar”. Mas “também hoje Jesus chora, porque preferimos o caminho das guerras, do ódio, das inimizades”. Compreende-se isto ainda mais agora que “estamos próximos do Natal: haverá luzes, festas, árvores luminosas e presépios... tudo falso: o mundo continua a fazer guerras. O mundo não entendeu o caminho da paz”. E, disse ainda o Pontífice, “no ano passado comemoramos o centenário da Grande guerra”. E “este ano houve outras celebrações para recordar Hiroshima e Nagasaki, só para mencionar duas”. E “todos se queixam”, dizendo: “Que histórias horríveis!”.
Recordando a sua visita ao sacrário militar de Redipuglia, a 13 de Setembro de 2014, no centenário da primeira guerra mundial, o Papa revelou que tinha pensado nas palavras de Bento XV: “massacres inúteis”. Massacres que provocaram a morte de “milhões de homens”. Contudo, acrescentou, “ainda não entendemos o caminho da paz”. E “não acabou ali: hoje nos telejornais, na imprensa, vemos que houve bombardeamentos” e ouvimos dizer que “é uma guerra”. Mas “hoje há guerra e ódio em toda a parte”. E chegamos a consolar-nos, dizendo: “Sim, é um bombardeamento, mas graças a Deus só foram assassinadas vinte crianças!”. Ou dizemos: “Não morreram muitas pessoas, tantas foram raptadas...”. Assim, “até o nosso modo de pensar enlouquece”.
O Pontífice interrogou-se: “O que permanece de uma guerra, desta que agora vivemos?”. Permanecem “ruínas, milhares de crianças sem educação, muitos mortos inocentes: tantos!”. E “muito dinheiro nos bolsos dos traficantes de armas”. É uma questão vital. “Certa vez — recordou o Papa — Jesus disse: “Não se podem servir dois senhores: ou Deus ou as riquezas”. E “a guerra é precisamente a escolha das riquezas: “Façamos armas, assim a economia equilibra-se um pouco, e vamos em frente com o nosso interesse”. A propósito, afirmou Francisco, “há uma palavra grave do Senhor: ‘Malditos!”, porque “ele disse: “Benditos os pacificadores!”. Portanto, quantos “promovem a guerra, as guerras, são malditos, bandidos”.
Uma guerra, explicou o Papa, “pode-se ‘justificar’ — entre aspas — com muitas razões. Mas quando o mundo inteiro, como hoje, está em guerra — o mundo inteiro! — é uma guerra mundial por etapas: aqui, ali, lá, em toda a parte”. E “não há justificação. E Deus chora, Jesus chora”.
Assim, voltam as palavras do Senhor quando viu Jerusalém, citadas no evangelho de Lucas: “Neste dia não entendeste o que traz a paz”. Hoje “este mundo não é pacificador”. E “enquanto os traficantes de armas fazem o seu trabalho, há pobres pacificadores que só para ajudar uma pessoa, outra e outra, dão a vida”. E cumprem esta missão tendo como modelo “um símbolo, um ícone dos nossos tempos: Teresa de Calcutá”. Sim, “com o cinismo dos poderosos poder-se-ia dizer: mas o que fez aquela mulher? Perdeu a sua vida ajudando as pessoas a morrer?”. A questão é que hoje “não se entende o caminho da paz”. Com efeito, “a proposta de paz de Jesus não foi ouvida”. E “por isso, contemplando Jerusalém, ele chorou, e também hoje chora”.
“Ser-nos-á útil — concluiu o Papa — pedir a graça do pranto por este mundo que não reconhece o caminho da paz, que vive para fazer a guerra, com o cinismo de dizer que não a devemos fazer”. E, acrescentou, “peçamos a conversão do coração”. Precisamente “à porta deste jubileu da misericórdia — desejou Francisco — que o nosso júbilo, a nossa alegria seja a graça de que o mundo volte a ser capaz de chorar pelos seus crimes, por aquilo que faz com as guerras”.



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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Catecismo da Igreja Católica - Depositum Fidei

Paz e Bem!

Meus queridos, vamos conhecer um pouco mais sobre nossa fé?
Em nosso tempo, somos convidados constantemente a explicar a nossa fé. Vemos também uma perda de rumo em relação aos valores e às crenças. Assim, faz-se necessário um conhecimento maior sobre o que acreditamos e em quem acreditamos. Santo Agostinho nos diz: “Quanto mais conhecemos, mais amamos."
Nós, cristão católicos, além da Bíblia, temos uma ferramenta preciosa, que é o Catecismo da Igreja Católica (CIC). No CIC é apresentado o ensinamento da Sagrada Escritura, da Tradição viva na Igreja e do Magistério autêntico, ajudando assim a iluminar, com a luz da fé, as novas situações e os problemas que ainda não tinham surgido no passado.
O Senhor Jesus confiou à Igreja Católica a missão de ser o Depósito da Fé (Depositum Fidei). Para isso formulou-se o Catecismo da Igreja Católica, o qual é dividido em quatro partes: a Fé professada; a Fé celebrada no mistério; a Fé vivida em Cristo; e, a Fé rezada. Apresentada da seguinte maneira:
Primeira parte - A profissão de Fé, baseada no Credo, expõe em que consiste a Revelação, tratando de como Deus se dirige ao homem e como o homem responde a Deus. Resume a nossa profissão de fé na Trindade Santa: Pai criador; Filho redentor; e, Espírito Santo santificador.
Segunda parte - A celebração do Ministério Cristão, que trata da sagrada Liturgia, expõe sobre a liturgia da Igreja, celebrada no mistério pascal de Cristo presente nos sete sacramentos.
Terceira parte - A vida em Cristo, trata do agir cristão, apresenta a vocação do homem, criado à imagem de Deus. Trata assim do agir reto e livre, com ajuda da fé e da graça de Deus, ou seja, do agir que realiza o duplo mandamento da caridade, amar a Deus e ao próximo como a si mesmo, desdobrado por fim nos Dez Mandamentos de Deus.
Quarta parte - A Oração Cristã, expressada no Pai-Nosso, aborda o sentido e a importância da oração pessoal e comunitária, finalizando com um comentário sobre os sete pedidos da oração do Senhor.
“Lendo o Catecismo da Igreja Católica, pode-se captar a maravilhosa unidade do mistério de Deus, da sua intenção de salvar-nos, bem como a centralidade de Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, enviado pelo Pai, feito homem no seio da Santíssima Virgem Maria por obra do Espírito Santo, para ser o nosso Salvador. Morto e ressuscitado, Ele está sempre presente na sua Igreja, particularmente nos sacramentos; Ele é a fonte da fé, o modelo do agir cristão e o Mestre da nossa oração” (Constituição Apostólica Fidei Depositum).
O Catecismo ajuda a iluminar, com a luz da fé, as novas situações e os problemas que ainda não tinham surgido no passado. Mostrando assim que a Palavra de Deus é viva e é uma fonte inesgotável de amor. Nos mostra ainda, que “ser cristão não é uma carga, mas um dom: Deus Pai nos abençoou em Jesus Cristo seu Filho, Salvador do mundo [...] Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria”. (Documento de Aparecida, Nº 28 e 29).


Pedro Debarba (teólogo)

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A mãe do meu Senhor vem me visitar!

Gostaria de me atentar a esse trecho do Evangelho de Lucas:
“Com um grande grito [Isabel] exclamou: “Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu.” Lucas 1, 42-45.
Logo na sequência está descrito o “Magnificat (também conhecido como Canção de Maria), no qual Maria, exultante de alegria, agradece a Deus por ter olhado para uma humilde serva e feito nela maravilhas. Como serva de Deus, Maria coloca-se a caminho para servir sua prima. Ela caminhou cerca de cem quilômetros para isso. Em nenhum momento solicitou privilégios por ser a mãe do Senhor.
Isabel, sentindo seu filho pular de alegria em seu ventre, não se vê merecedora de tão grande visita. “A mãe do meu Senhor” veio em meu socorro, veio me servir. A visita de uma mulher bendita, que traz em seu ventre um fruto bendito, é a melhor coisa que poderia ter acontecida para Isabel que estava grávida.
Toda grávida merece cuidados especiais. Muito mais cuidado merece uma grávida em idade avançada como Isabel. Por isso que é bela a sensibilidade de Maria em servir, em “lavar os pés” de sua prima.
Que a mãe de nosso Senhor nos ensine a praticarmos a caridade aos mais necessitados e ir ao encontro de quem precisa. Um simples gesto de uma visita já é de grande valia para uma pessoa necessitada.
Maria, mãe de Jesus, rogai por nós a Deus!
Pedro Debarba
(Teólogo)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito

Diz-lhe Jesus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. Se me conheceis, também conhecereis meu Pai. Desde agora já o conheceis e o vistes.” (Jo 14, 6-7)
Jesus é a única Revelação completa sobre o que é Deus e sobre o que é o ser humano. Ele nos mostrou como Deus é, e como Deus age no mundo.
Fico triste ao ouvir irmãos cristãos de outras denominações afirmarem que a Igreja Católica nega isso ao apresentar os santos, pessoas que viveram intensamente o Evangelho e são exemplos de vida. É um julgamento mesquinho e de quem não conhece a verdadeira doutrina de fé da Igreja Católica.
Se olharmos a vida dos santos canonizados pela Igreja, veremos que em momento nenhum algum deles aponta para si mesmo, mas sim, aponta para quem é o verdadeiro caminho: Jesus. Até a mãe de Jesus afirma: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5)
Com o nascimento de Jesus, o mundo vê a dignidade humana sendo resgatada. Ao ser resgatada a dignidade humana, e pessoa consegue contemplar novamente a Deus.
Nós só damos frutos (santidade de vida, vivência do amor) se estivermos ligados a Jesus (a verdadeira videira). Quando estamos ligados a Jesus, nós colocamos em nossa frente os dois mandamentos: Amar a Deus e amar ao próximo como a sim mesmo.
Devemos nos atentar ao que pregamos e ao que vivemos. Pois podemos idolatrar nossa religião, nossos pensamentos e as letras que matam.
Idolatria é pôr o absoluto nas coisas criadas pelo humano e não pôr o absoluto em Deus. Quem nos salva é somente Deus, que está revelado em Jesus.
No mundo atual vejo pessoas seguindo novas idolatrias, assim, pondo sua salvação nas coisas e não em Deus. Existe no meio cristão um conceito limitadíssimo de idolatria, precisamos repensar o nosso conceito!
Não adoramos imagens e nem santos, apenas olhamos para eles e vemos um testemunho de vida, vemos uma vida voltada ao Evangelho e vemos que estes santos encontraram o “Caminho, a Verdade e a Vida”. Estas pessoas nos mostraram que é sim possível viver o Evangelho.
Jesus é o Bom Pastor que em suas Palavras nos leva ao Reino de Deus.
Então: “Cessem as palavras e falem as obras” (santo Antônio de Pádua)

Pedro Debarba (teólogo, formado em faculdade N. S. Assunção - SP)

terça-feira, 21 de maio de 2013

José, não temas receber Maria!

            Primeiramente, vamos ler o texto com o coração:
“A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José, antes de viverem juntos, achou-se grávida pelo Espírito Santo. José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo. Enquanto assim decidia, eis que o Anjo do Senhor manifestou-se a ele em sonho, dizendo: ‘José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás como o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados’.” (Mt 1, 18-21).

Filhinhos não tenham medo de receber Maria em sua casa, pois tudo o que há nela é obra do Espírito Santo. José teve medo por não saber do que realmente se tratava, não sabia o quão grande era o Filho que Maria carregava dentro de si. Mas o anjo abriu seus olhos e ele entendeu.

Filhinhos não tenham medo de receber Maria, pois ela, antes de você, acolheu o Filho de Deus em seu coração. A arca da aliança no antigo testamento trazia dentro dela: as tábuas da lei, a vara de Arão e o maná. Maria, a nova arca da aliança, trouxe dentro dela: a lei, o pastor e o alimento. Quem se aproximava da arca, se aproximava de Deus. Quem se aproxima de Maria, se aproxima de Deus. Porque Deus está dentro dela.

Filhinhos não tenham medo, Maria está contigo e te mostra Àquele que nos salva dos pecados. Ela não é ‘deusa’, mas carregou Deus dentro de si e continua até hoje a mostrar o verdadeiro alimento, a verdadeira lei e o verdadeiro pastor.

Filhinhos não ouçam quem fala mal dela, pois “cheio de raiva por causa da Mulher, o Dragão começou então a atacar o resto dos filhos dela, os que obedecem aos mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus” (Ap 12, 17). Isso nos lembra do Gênesis, onde Deus amaldiçoa a serpente: “porei inimizade entre ti e a mulher” (Gn 3,15).

Na cruz Jesus nos deixa Maria como mãe: “‘Mulher, eis teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis tua mãe!’ (Jo 19, 25-27). O que é bom pra mim, eu sempre desejo aos outros.

Amém!

Pedro Debarba
(Bacharel em Teologia e cursou Filosofia.
É catequista para adultos em Curitiba)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Noite!

Chuva fina e mansa caindo lá fora, molhando a praça vazia em uma noite sem estrelas. Vento suave que balança as folhas da única árvore que sobrou. As gotas da chuva respingam no vidro transparente da janela. Atrás desse vidro um rosto que tudo observa, que tudo contempla. Tudo tão sublime. Então, o rosto que tudo observa está molhado, não pelos pingos de chuva, pois eles não ultrapassam o duro vidro da janela. Esse rosto está banhado em lágrimas. Lágrimas tão profundas que parecem arrancar a sua alma e transpô-la ao lado de fora da janela, no meio daquela praça vazia, com aqueles gelados pingos de chuva que cortam seu cérebro e atrofiam todas as partes de seu corpo. Estagnado está esse rosto, e submerso em uma imensa solidão e uma imponente angústia. Ai, ai, ai... Esse rosto abriu a janela de vidro e ficou molhado. Teve que secá-lo. Por fim, esqueceu-se de sua alma, a qual as lágrimas tentavam transpô-la para o lado de fora da janela...